top of page
  • Foto do escritorJandira Queiroz

Campanhas: bater ou assoviar?

Mapeando o espectro de aliados: se os recursos são limitados, foco na construção coletiva!



Nos últimos meses, tenho conversado muito sobre as boas práticas que levam a campanhas de mobilização de sucesso e quando a gente fala do "espectro de aliados", dá para ver a luz que se acende nos rostos delas: EUREKA! É quase isso.


No terceiro setor, a gente faz campanha para mudar algo que está muito errado. Da fome à participação no governo do país, do preço do transporte à preservação das terras indígenas, sempre tem alguém buscando se beneficiar às custas do sofrimento do povo. As pessoas "no poder" não parecem interessadas em resolver os problemas do país (do mundo?) de maneira definitiva, atacando suas causas e raízes.


Mas o que é o poder, e quem dá esse poder a quem está "no poder"?


Nós, o povo. Né? Pelo voto, damos poder a presidentes, parlamentares, prefeitos e prefeitas, governantes dos estados. No entanto, há muitas formas de dar ou tirar o poder de alguém. Para começar, podemos construir o poder com outras pessoas. Na minha cabeça, vem a cena de um grupo de jovens em que alguém fica pra trás e entra em apuros. Uma outra pessoa vê e "fiuiii!" chama o restante da turma para resgatar a pessoa que precisa de ajuda.


Um elemento essencial do planejamento de campanhas é o mapeamento de atores relevantes - ou stakeholders, no jargão generalizado. Uma forma muito utilizada para mapear quem está com a gente ou contra nós é construir uma matriz em quadrantes, ou em dois eixos cartesianos, e posicionar esses atores em polos opostos: quem está com a gente, quem está contra nós. É a clássica visão binária e polarizada, que em tempos de comunicação digital, só alimenta o monstro e não mata a hidra. Aí a gente investe toda a nossa energia em bater nos "inimigos", e acaba morrendo na praia.


Se queremos construir o poder com mais pessoas, há uma outra forma de mapear atores e pensar as estratégias. Em vez de polos, um espectro, como o arco-íris. Em vez de bater, assoviar e chamar nossa turma para ajudar.


Para toda causa ou ideia, há pessoas que concordam, discordam ou são neutras. Entre as que concordam, parte já faz alguma coisa na direção do que você quer alcançar, outras estão muito ocupadas com suas próprias vidas - mas se tiverem uma chance, vão botar a mão na massa. São suas aliadas. Entre as neutras, tem gente que entende um pouco do que você está dizendo e gente que vai perguntar se você está falando mandarim - a maioria não sabe que há solução para o problema, e uma boa parte delas vai topar te ajudar a solucioná-lo se souber como fazer. E no conjunto das pessoas que discordam de você estão aquelas que ativamente causam o problema e aquelas que concordam com seus "oponentes" mas não estão em ação - são aqueles que chamamos de oponentes ativos e passivos.



Quando você for planejar sua próxima campanha, experimente canalizar seus recursos (financeiros, humanos, de tempo) em agregar mais pessoas aliadas, convencer as neutras a irem mais para o seu lado, e neutralizar os oponentes que estão passivos. É provável que sua campanha tenha muito mais sucesso se você chamar as pessoas para defender e fazer o certo do que empurrá-las para bater no "inimigo". Coloque-se no lugar delas: se fosse você, você iria?


As pessoas no poder só estão lá porque alguém legitima. O convite aqui é construir o poder com.


Quer conhecer mais sobre essa e outras formas de mudar o balanço do poder? Confira o Bela Baderna: Ferramentas para a Revolução - todinho disponível em português no Medium da Escola de Ativismo.

35 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Comments


bottom of page